terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Os Livros Da Magia: Introdução - O Livro das Historias

Manuela e Maria Alice chegaram as quatro em ponto na biblioteca, como costumavam fazer toda terça-feira. Manuela foi direta para a seção de romances policiais, seu gênero favorito. Alice andava calmamente entre as estantes de livros, os passos inaudíveis graças o carpete da silenciosa biblioteca. Seus dedos passavam delicadamente pelas capas enquanto ela procurava um livro que não lera.

Parou num livro grosso, com a capa aveludada. Não tinha um título na lateral. Ela tirou da estante para ver do que se tratava. Na frente, estava escrito numa bonita caligrafia em letras douradas: O Livro das Histórias. Um título muito esclarecedor, pensou Alice ironicamente. Abriu para ver o conteúdo, porém o livro não tinha autor, nem índice. Na verdade, não tinha nada. Era um livro em branco, sem nenhuma página impressa.

Ela ainda folheava as páginas brancas quando ouviu um barulho no corredor. Era Manuela que tinha tropeçado num degrau no carpete. Ela levantou, se ajeitou e foi encontrar a irmã.

- Achou algo interessante?- perguntou Manu, que estava com no mínimo 5 livros na mão. Alice devolveu o livro na estante e disse:

- Não, acho que vou reler meus favoritos- ela já se dirigia aos clássicos da literatura inglesa, procurando por Shakespeare.

As duas voltaram antes do jantar. Assim que acabaram, Manu correu fazer os deveres, e Alice foi ler tendo os deveres já feitos. Ela estava deitada lendo Hamlet, concentrada completamente na história. Tanto que tomou um susto quando algo caiu no chão. Ela se virou para ver. Era o livro grosso com capa aveludada, que encontrara na biblioteca. Um tremor correu sua espinha. Ela não tinha levado aquele livro. Como ele foi parar lá?

Apesar de estar com receio, a curiosidade foi maior e ela pegou o livro. Ele parecia mais pesado que antes. Ela abriu a primeira página. Estava escrito: “Tome cuidado com a história. Você pode se achar dentro dela.” Muito estranho, eu não tinha reparado nisso antes, pensou. Ela folheou o livro de novo. Dessa vez, todas as páginas estavam escritas. Ela voltou para a primeira página. Afinal, o que de ruim podia acontecer em ler um livro? Mais do que Alice imaginava quando começou a ler.

O livro contava histórias de uma terra mágica, chamada, brilhantemente, de Terra da Magia. Você poderia ver de tudo: duendes, vampiros, unicórnios, dragões. Também havia criaturas novas, desconhecidas, cujos nomes estavam escritos em uma língua diferente que não ouso repetir. Havia novos lugares, novas comidas, novos perfumes, nova percepção. Quanto mais Alice lia, mais ia sentindo as coisas descritas.

Quando sua boca salivava com um banquete real, sentia sua pele refrescada pelo mar, seus ouvidos contemplavam o canto das sereias e seu nariz inalava o perfume de jasmins, então seus olhos começaram a ficar ofuscados por uma luz, e começaram a se fechar para um sono tranquilo e suave. Sem perceber, Alice adormeceu sobre o livro.

Enquanto Alice embarcava em sua viagem sem volta para a Terra da Magia, Manu estudava química em seu quarto. Todas as matérias envolvidas com ciências eram uma dificuldade para ela, mas ela estudava avidamente para compensar. No entanto, seus esforços pareciam inúteis naquela noite (infelizmente, devo acrescentar), então ela foi até o quarto da irmã aos prantos pedindo ajuda.

Ela bateu várias vezes, e, como ninguém respondeu, ela entrou. Mas o quarto estava vazio. Ela olhou no banheiro, mas também estava vazio. Os únicos indícios de que Alice realmente estivera lá eram a cama bagunçada e um livro aberto. Um livro grosso com capa aveludada.

Ela leu o aviso, e, sem saber do quanto estava certa, pensou: “Desse jeito, aposto que Alice foi parar dentro da história!” De repente, ela se deparou com uma estranha sensação. Ela queria ler o livro. Não, ela devia ler o livro. Mas sentia que era perigoso. Que besteira, Manuela, pensou, então pegou o livro e o levou para seu próprio quarto.

Ela demorou mais para chegar ao mesmo ponto, mas não estava menos envolvida que a irmã. Entretanto, enquanto o livro a devorava, ela manteve-se mais atenta. Quando o chão firmou de novo sob seus pés e tudo entrou em foco, ela percebeu que era realmente a Terra da Magia.

À sua volta, o cenário era lindo. Havia um riacho correndo à sua esquerda e uma floresta à sua direita. Tudo era mágico, totalmente e incrivelmente mágico. Mas tudo perdia a graça e parecia desbotado se comparado à estranha, inumanamente linda mulher que um dia fora Maria Alice. Ela emanava luz, flutuando acima do solo, e, com uma voz de anjo, disse:

- Manuela, encarrego-lhe uma nobre e perigosa missão. O Livro das Histórias, agora seu, é apenas um dos cinco Livros da Magia. São eles: o Livro dos Desejos, o Livro dos Segredos, o Livro dos Sonhos, o Livro dos Contos e o Livro das Histórias. Você deve acha-los e trazê-los para mim, para o lugar de onde vieram e ao qual pertencem. Eles já ficaram longe tempo demais.

Manuela estava pasma. Falou num sussurro:

-O que aconteceu?

Mas Alice já estava longe demais. Manu estava voltando, com muitas dúvidas e só uma certeza: ela tinha de achar os livros. Talvez neles as respostas estivessem escritas.

Quando acordou na manhã seguinte, notou que o livro tinha mudado. Mais uma história estava escrita, uma história sobre uma menina que achou um livro mágico e foi incorporada a ele. E na última página, uma única frase negra cortava o branco do papel: “Ache-os, rápido”.